Shemot

sheShemot/Êxodo 1:1-6:1

A Parashá de Shemot é a primeira porção semanal do livro Exôdo, que versa sobre o nascimento de Moshé e sua vida até o momento em que volta ao Egito como mensageiro de Deus para pôr fim à escravidão dos hebreus. Esse pequeno trecho da narrativa bíblica é caracterizado por sua imensidão de símbolos, aprendizados, e mensagens que se aplicam à nossa vida judaica. No entanto, uma das interpretações que me agrada é aquela que divide a trajetória de Moises em duas, uma mundana e outra espiritual.

Desde seu nascimento, Moshé é considerado um “homem bom”. Essa característica é realizada mais tarde, quando luta e debate por uma equidade nas relações entre o egípcio e o hebreu, bem como entre dois hebreus. Porém, o senso de justiça de Moshé, até então, recaía sobre aquilo que seus olhos avistam. É essa a característica que leva Moshé ao encontro de Deus. Há um midrash, que nos conta que Moshé não foi o único a avistar a sarça ardente, mas foi o único a refletir sobre essa visão.

A partir desse momento, no qual Moshé se espanta com aquilo que vê e busca uma compreensão aprofundada, ele se torna um mensageiro de Deus e sua trajetória passa a buscar a justiça não só sobre aquilo que enxerga, mas também sobre todos os aspectos da vida do povo hebreu, interna e externamente. Acredito que essa é uma importante lição para os nossos dias. Devemos compreender de maneira complexa aquilo que nossos olhos veem, para garantir uma realização justa sobre a nossa vida e a de todos que vivem conosco.

Shabat Shalom,
Rodrigo Baumworcel