ARI e Chazit unidas no Shabat pela Coexistência

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Na última sexta-feira, 28 de novembro, o serviço do Cabalat Shabat na ARI foi diferente. Ele foi produzido pelos jovens peilim da Chazit Hanoar.

Com músicas, mensagens inspiradoras e um belíssimo Dvar Torá em torno do tema Coexistência, Diálogo e o Respeito, foi uma noite muito vibrante, que culminou com todos cantando Shir LaShalom.

“Foi um momento muito emocionante para nós da Chazit”, conta a mazkirá Carol Freihof. “A proximidade com a ARI, nossa kehilá-mãe, é algo fundamental para a tnuá. Vamos trabalhar para que esse laço seja cada vez mais forte. Chazak vê Alê!”

 

Prédica lida pelos peilim da Chazit:

Shabat Shalom,

A parasha que lemos esta semana á a parasha Vaietze. Nela, Jacob foge de seu irmão Esaú, e vai para Haran.

Como vocês sabem existia entre esses dois irmãos um CONFLITO de PODER muito grande, Jacob recebeu a benção da primogenitura que lhe correspondia realmente a Esaú o irmão mais velho, por meio de um engano do seu pai.

Esaú fica muito ressentido com este fato, e Jacob não tem outra opção além de fugir para Haran.

Em Haran Jacob mora com Laban, seu tio, e se apaixona pela filha mais nova dele e Jacob se oferece para trabalhar por sete anos para Laban em troca de se casar com Rachel. Mas Laban engana Jacob, e quando acabam os sete anos ele casa Jacob com Leah, à filha mais velha.

Quando Jacob descobre esse engano, fala que ele vai trabalhar outros sete anos para se casar também com Rachel. Rachel e Leah, agora esposas de Jacob, dão à luz filhos para Jacob: doze meninos e uma menina.

Jacob depois de tantos anos em Haran quer voltar para casa com a família e o gado, e após uma rápida consulta com suas esposas, foge sem informar a Laban levando uma grande riqueza.

Aqui surge outro conflito nesta parasha, entre tio e sobrinho, Laban que se sente traído por Jacob, por ter fugido sem avisar, e Jacob que foi manipulado por Laban no seu primeiro casamento tendo que trabalhar por 20 anos para conseguir a suas esposas e a riqueza.

Laban o persegue, mas depois de uma troca de palavras, eles e fazem um acordo de amizade.

Resumindo a historia, nesta parasha vemos vários conflitos: entre irmãos, entre pai e filho, entre tio e sobrinho. Estes conflitos foram gerados por uma luta de poder, que não tem intenção de chegar a um acordo senão o de ganhar.

Jacob quer a primogenitura, e quer a benção do pai e para conseguir isto ele não dialoga com seu irmão, e engana seu pai.

Laban se aproveita de Jacob vendo que ele faz um bom trabalho para ele, se comprometendo a entregar Rachel, mas não cumpre com a sua promessa.

Jacob foge de Laban sem falar com ele, sem conversar, sem explicar a sua saída de Haran.

Então como estes conflitos são resolvidos na torá?

O conflito de Jacob com seu irmão e resolvido na seguinte parasha quando Jacob volta para sua terra. Há um encontro em que os dois irmãos se prepararam para o pior, mas diferente do esperado, quando estiveram face a face, se abraçaram, choraram e se beijaram.

O conflito do Laban e Jacob se resolve de uma maneira parecida, quando eles estão face a face, decidem e entendem que precisam fazer uma aliança, que as brigas e desentendimentos não vão chegar a lugar nenhum.

É interessante observar que estes conflitos são gerados pelo não encontro e pela falta de dialogo.

No momento que o encontro acontece, conflitos de 20 anos, ou relações difíceis são conversadas e repensadas, e coisas que parecem não ter solução se resolvem.

O filosofo Judeu-Francês Emanuel Levinas, fala que não devemos apenas falar cara a cara com o Outro: também devemos “assumir a responsabilidade” por ele.

Segundo o filósofo o encontro com o outro e fundamental, assim posso não só me colocar no lugar dele, mas nessa ação também devo tomar responsabilidade por ele.

Neste ano na Chazit pensamos muito sobre qual e a nossa postura em diferentes situações de conflito, especialmente em 2014 que vimos em Israel, vários conflitos não só com nossos vizinhos “os palestinos” mas também entre nossos vizinhos de Israel, ortodoxos e laicos, direita e esquerda, e outros.
Esses conflitos parecem hoje em dia para muitos não ter solução nenhuma, já estamos cansados de guerras, de mulheres que querem botar tefilim e rezar no kotel e não podem, de conflitos de poder entre esquerda e direita, etc.

Mas na Chazit acreditamos que a mudança é possível, que devemos sim nos encontrar com o outro: “o palestino”, “o laico”, “o ortodoxo”, “o de direita ou de esquerda”, e dialogar com ele. Esse encontro e dialogo não e uma opção, e uma obrigação. Muitas vezes escutamos o seguinte: e se o outro não quiser dialogar conosco? Não quiser escutar? O que fazemos? Não fazemos nada? NÃO, insistimos, não perdemos a esperança. A Chazit acredita que nossa ferramenta é o diálogo, que não é uma ferramenta mágica, mas nós achamos que é a melhor, achamos o dialogo melhor que a guerra, melhor que ignorar o outro e melhor que esperar sem fazer nada.

Esse dialogo tem que ser feito pelos governos com certeza, mas também por nos, jovens, famílias, na tnua e na educação.

Para concluir, queria ler para vocês um poema de Carlos Drummond de Andrade, e desejar um Shabat Shalom de PAZ e dialogo pra vocês.

O Constante Diálogo

Há tantos diálogos

Diálogo com o ser amado
o semelhante
o diferente
o indiferente
o oposto
o adversário
o surdo-mudo
o possesso
o irracional
o vegetal
o mineral
o inominado

Diálogo consigo mesmo
com a noite
os astros
os mortos
as ideias
o sonho
o passado
o mais que futuro

Escolhe teu diálogo
e
tua melhor palavra
ou
teu melhor silêncio.
Mesmo no silêncio e com o silêncio
dialogamos.

Chazak ve Ale,

Chazit Hanoar