A primeira sede da ARI foi uma pequena sala velha, nos fundos da Rua Barata Ribeiro 363 em Copacabana. Ficava junto a um galinheiro e muitas vezes, durante o serviço religioso, as galinhas passeavam pela sala. Mas ninguém se incomodava; a religiosidade era muito grande, havia muito fervor. A sinagoga era o lar, a identificação com as origens, o traço de união com a nova vida.

A ARI foi crescendo e ao fim do primeiro ano já contava mais de mil sócios. Em dezembro de 1943 as instalações foram transferidas para o número 373 da Barata Ribeiro; contudo, já havia nascido a idéia de uma sede própria e uma campanha com este objetivo foi iniciada. Cento e cinqüenta contos foram angariados e, no dia 12 de Novembro de 1944 foi, finalmente, inaugurada a primeira sede própria da ARI, à Rua Martins Ferreira 52 em Botafogo.

A “Martins Ferreira” deixou muitas saudades. Todos falam dela com um carinho especial. Era um tempo em que todos se sentiam unidos em uma só família, participando ativamente, próximos uns dos outros. Foram tempos de luta, mas foram bons tempos. O grupo de estudos com o Dr. Lemle – Beit Hamidrash – que atraiu muita gente e foi um ponto marcante na história da ARI; as aulas de religião, que se estendiam do Leblon ao Méier – sim, ao Méier, pois havia o Setor Norte da ARI. Muitos dos sócios moravam na Zona Norte e era difícil vir até Botafogo. Assim, realizavam seus serviços religiosos em casas de família e, uma vez por mês, o Dr. Lemle ia até lá dirigir as preces. Com o tempo, as pessoas se mudaram para a Zona Sul e o Setor Norte se extinguiu.

Havia ainda o Jardim de Infância, os escoteiros e os lobinhos, o Coro de voluntários, a Seção Feminina, as feirinhas e a festa no Cassino Atlântico, os Iamim Noraim no Mourisco e no Botafogo, os vários grupos juvenis e a Chazit Hanoar. Nas horas difíceis, a presença da Chevra Kadisha.

A ARI crescia, e a sede da Martins Ferreira já não comportava mais tantas pessoas e atividades. Fez-se necessário e urgente um espaço maior. Uma nova campanha foi iniciada para a construção de uma nova sinagoga. O grande impulso foi dado pelo Prof. Dr. Fritz Feigl e sua esposa, Dra. Regine Feigl, com a doação do terreno para a construção. É claro que houve inúmeras dificuldades mas, com luta, determinação e perseverança, o objetivo foi alcançado. Com a campanha dos tijolos, venda de cadeiras e donativos, a sinagoga foi surgindo – um projeto arrojado do arquiteto Henrique Mindlin.

Em Rosh Hashaná de 1961, um momento de emoção – o primeiro serviço religioso de Kabalat Shabat, no Salão Nobre da nova sinagoga, ainda em obras. Finalmente, no dia 28 de Setembro de 1962, foi colocada a mezuzá no Salão Nobre e, na bimá, aceso o Ner Tamid – a Lâmpada Eterna.

A partir daquela data, todos os serviços religiosos passaram a ser realizados na nova sinagoga da Rua General Severiano 170. Dois meses depois, com o concerto do Prof. Fritz Hofer, autor do projeto e, a 22 de Dezembro de 1962, inaugurava-se a sinagoga pequena, uma reconstituição da “Martins Ferreira”. Foi um período marcante, emocionante, que tocou fundo no coração daqueles que viram a ARI nascer, crescer e se tornar grande; aqueles que fizeram a ARI, que ainda são a ARI, e que a legaram a nós para darmos continuidade à sua obra.

Um antigo projeto desde a época da construção da sinagoga era o Prédio Anexo a sinagoga. Ao longo dos anos 90 a ARI ergueu o Centro Comunitário Rabino Henrique Lemle que foi inaugurado em 1997, dispondo de salas de aula, biblioteca, auditório, salas de recepção, escritórios para a administração, a sinagoga Henrique Peres que acomoda até 150 pessoas, e o Centro de Referência e Pesquisas sobre o Holocausto Família Zinner.