Noach

noach(Bereshit/Gênesis 6:9-11:32)

Esta parashá nos traz a narrativa da vida de Noach, do que lhe foi designado por Deus a realizar para que a sua própria Obra Divina – a Criação – não se perdesse por completo, de como desempenhou esta missão e de como Deus concretizou a destruição de toda a Criação que não estava protegida dentro da Arca construída por Noach (Noé) e sua família.

A narrativa, de modo geral, é bem conhecida por todos e está incorporada à cultura universal de modo marcante e familiar, sendo parte de nossa consciência ou inconsciência coletiva.

As ideias que despertam em nosso imaginário quando lemos esta narrativa, na qual toda espécie de vida é varrida da face da Terra por um dilúvio que cobre todos os locais, afogando a tudo e a todos é assustadora.

Esta sensação de se afogar é desesperadora, trazendo uma total falta de um ponto de apoio ou referência que possa organizar um escape para este perigo, quem já passou perto desta situação lembra destas emoções.

Tão forte é este castigo Divino que é prometido a Noach que aquela seria a primeira e última vez em que a Criação seria totalmente destruída pelo seu Criador.

Após o castigo surge uma nova terra, revivida de uma limpeza pelas águas e as esperanças de um amanhã seguro para as novas gerações.

Deixando um pouco de lado a abordagem do castigo, que é a maneira que Deus encontra para não perder por completo a Criação, vamos pensar em parte das razões que levaram a este castigo.

O texto bíblico traz a visão Divina de que: “O fim de toda criatura veio perante mim, porque se encheu a terra de roubo por causa deles e eis que os farei perecer juntamente com a terra.”

Recentemente assisti ao recente filme de Darren Aronofsky sobre a vida de Noach, que traz uma abordagem de alerta, não necessariamente divina, mas importante do presente status da Criação em nossos dias.

A interpretação da parashá neste filme apresenta a impossibilidade de que ainda pudesse existir um conserto para o Mundo, o Tikun Olam, já não era mais possível. A cura seria feita pela imersão total da Terra nas Águas por 40 dias e noites.

Naquele ponto, toda a Criação já estava comprometida, incluindo os homens, os animais, a flora, a fauna e tudo mais. A única opção era lavar tudo e recomeçar do zero, esforçando-se para que nesta nova existência as coisas fossem bem conduzidas evitando um novo holocausto.

Os muitos sinais de alerta, já presentes em nossa vida diária, de que as coisas não vão nada bem em nosso planeta, são cada vez mais intensos e inquestionáveis. Se Noach demorou 120 anos para a construção da Arca e, durante este tempo, explicava o que realizava na esperança de que os demais se arrependessem, acredito que talvez não tenhamos tanto tempo para a prática do Tikun Olam.

Que tal mudarmos a vida de nossas vidas e as dos que nos cercam de muito perto ou de mesmo de muito longe?

Temos muito o que fazer!

Shabat Shalom,
Ariel Bergher