Márcio André Sukman

pd1O Centro de Referência e Pesquisas sobre o Holocausto Família Zinner é um espaço multimídia dedicado ao tema dentro da ARI. Em conjunto com a Bnai Brith, o Centro realiza um projeto de preparação de professores de escolas públicas para o ensino da Shoá. Esta semana conversamos com Márcio André Sukman, sócio da ARI e um dos coordenadores desta iniciativa.
O que é este projeto?
O Grupo de Estudo Sobre o Holocausto busca incentivar o estudo e a compreensão do tema do Holocausto por parte dos professores, sugerindo ferramentas, fontes, temas, debates para seu ensino nas salas de aula.

Quando e como ele surgiu?
No seminário da ARI, realizado em Itaipava em novembro de 2013, me dispus a organizar um projeto para o Centro de Referência e Pesquisa do Holocausto Família Zinner, que funciona na ARI. No início deste ano, assisti no Programa Comunidade na TV o Sr. Jayme Gudel, membro da Bnai Brith que, voltando de um curso no Yad Vashem, convidava a comunidade para organizar um grupo de estudos sobre o Holocausto. Fizemos uma reunião e, junto com o Professor Roberto Antunes, da Secretaria Municipal de Educação do Rio, decidimos criar esse grupo.

Como ele funciona?
O grupo de estudo acontece a cada três semanas, nas noites de quarta-feira, na biblioteca da ARI, onde funciona o Centro. Serão 10 encontros ao longo do ano, nos quais os coordenadores e alguns dos participantes são encarregados da apresentação do tema a ser debatido. Também participarão convidados, como o Sr. Alexander Laks e a escritora Sofia Débora Levi.

Qual o conteúdo?
Buscamos, dentro do possível, criar um programa que cubra o tema no seu eixo cronológico e temático, desde as raízes da criação do nazismo, passando pela entendimento da política de extermínio até suas conseqüências atuais, seja o negacionismo ou o significado do Holocausto no século 21, por meio das artes, das pesquisas e dos lugares de memória.

 

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Quantas escolas públicas e professores já foram atendidos?
Nesse primeiro grupo temos a participação de 10 professores de escolas municipais e estaduais, que em sua maioria já têm conhecimento sobre a temática judaica ou da língua hebraica, portando títulos de pós-graduação nessa matéria.

Qual a opinião dos professores sobre o projeto?
Os professores têm grande curiosidade e interesse na matéria. Demonstram grande curiosidade e, mesmo cansados após o dia de trabalho, participam com grande interesse dos debates.

Eles já utilizaram o conhecimento adquirido em sala de aula? Qual a reação dos alunos?
Sim. É interessante ouvir o relato dos professores de como trabalham o Holocausto em sala de aula, associado a inúmeras questões ligadas aos direitos humanos e como os alunos, muitos dos quais vivem em comunidades carentes, se sensibilizam com esse tema.

Quais os próximos passos?
Nosso grupo de estudo é voltado exclusivamente para os professores. Ainda esse ano será organizada, mais uma vez, pelo Bnai Brith e a Secretaria Municipal de Educação, a Jornada de Estudo do Holocausto nas cidades do Rio de Janeiro e Niterói, bem como visitaremos uma escola municipal onde será feita uma apresentação sobre o Holocausto para alunos e professores. No próximo ano, planejamos continuar, aumentar e diversificar esse trabalho do ensino do Holocausto.

Qual sua ligação com o tema da Shoá?
Como judeus, o tema do Holocausto é tão presente em nossas histórias de vida que sentimos como se tivéssemos vivido aquele momento, como cada um de nós de fato houvesse passado por um campo de concentração. Querendo ou não, somos marcados por esse terrível acontecimento. No meu caso, cresci em uma época ainda determinada pelas conseqüências da Segunda Guerra Mundial, o que sempre me fascinou. Compreendê-lo, ensiná-lo, aprofundar o conhecimento, homenagear as milhões de vítimas é meu mote pois de fato tenho dúvidas se o homem de fato aprendeu algo desde o seu ocorrido.