Liliana Wajnberg, do Grupo Kibud

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Esta semana, conversamos com Liliana Wajnberg, coordenadora do Grupo Kibud da CAS no Lar União.
O que te motivou a tornar-se uma voluntária? 
Por toda a minha vida tive envolvimento comunitário, é algo natural para mim. Quando cheguei ao Rio, demoramos a achar o lugar ideal para nos envolver. Quando meu filho mais novo decidiu que queria fazer o Bar-Mitsvá na ARI, a gente foi muito bem recebido e logo nos sentimos em casa. Daí para o trabalho voluntário foi um pulo.
Há quanto tempo você está a frente do Grupo Kibud?
Desde a sua criação. Começamos em 2003, com o grupo de nome Mekor Chaim, que acompanhava pessoas doentes e seus familiares, pessoas sozinhas e idosos. O Mekor Chaim começou o trabalho no Lar União em 2006. Em 2009, separamos o grupo Kibud, só para o trabalho com os idosos no Lar. O meu trabalho como voluntária da ARI no Lar vai além do grupo Kibud. Faço parte de um grupo da CAR que conduz os serviços religiosos de Cabalat Shabat e principais festas.
Como funciona esse envolvimento com os idosos?
Fazemos uma atividade mensal para festejar os aniversariantes do mês e aproveitamos para celebrar também as festividades judaicas da época. A única atividade além desta é Sucot, em que sempre enfeitamos a sucá. Aliás, fomos nós, em conjunto com a CAS, que começamos e mantemos o compromisso de sempre construir uma sucá no Lar.
As atividades variam, fazemos atividades manuais, apresentações musicais, filmes, bingos e brincadeiras com brindes. Também, através da CAS e em conjunto com a CAR, fizemos um livretinho de Cabalat Shabat com o mesmo conteúdo do usado na ARI, mas com fonte maior para facilitar a leitura. Estamos trabalhando no momento em machzorim para os Iamim Noraim.

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Quais foram os momentos mais marcantes nestes anos?
Quando comecei a frequentar o Lar, um residente que já faleceu veio a mim e pediu se podíamos de alguma maneira celebrar e lembrar todas as festas judaicas, porque ele estava sentindo muita falta disto. Eu prometi que faria tudo o possível para fazer isto, e tento cumprir esta promessa, lembrando dele a cada festa.
Na verdade, este trabalho retribui muito mais do que a gente investe, porque os residentes dão um carinho sem limites para quem visita. É difícil às vezes, porque a gente se apega e, como são idosos, eles adoecem e o ciclo da vida acontece, mas a gente sabe que contribuiu um pouco para uma melhor qualidade de vida deles.
Como você vê essa tradição de cuidar dos idosos na ARI e na comunidade judaica?
O nome do grupo Kibud, vem do mandamento “kibud orim”, honra aos pais. Se pensamos do ponto de vista judaico, não sei se esta seria a principal mitsvá a ser realizada, mas sem dúvida é muito importante dentro da nossa ética. Sempre foi assim na nossa comunidade. Na verdade, a gente só consegue funcionar apoiando-se uns nos outros. Quem tem um pouco mais de força estende a mão para quem talvez já o ajudou, mas que no momento precisa conforto.
Que mensagem você gostaria de deixar para nossos leitores?
Eu gostaria muito de ter mais gente trabalhando junto. O horário é meio ingrato, porque vamos lá nas tardes das últimas terças-feiras do mês, mas seria muito bom ter mais gente nos ajudando.Na verdade, queria convidar as pessoas a trabalharem junto com a gente em qualquer comissão ou departamento da ARI. A nossa casa funciona principalmente com o trabalho e a contribuição de cada um. Todos temos o que dar. Mesmo quem não tem tempo pode doar ideias. Que cada um contribua com um grão de areia, para que cresçamos como comunidade, na busca pelo Tikun Olam.