Vaierá (5769)

Inclusão

Por Gica Nigri

A parashá Vaierá se inicia com o episódio da
visita dos anjos para anunciar o futuro nascimento
do fi lho de Sara e Abraão, Isaac. Sem saber quem são
e para que vieram, Abraão os recebe em sua casa.
Ele convida os três homens para entrar e lhes oferece
pão, água e descanso. Esse bonito gesto é um exemplo
da mitsvá de hachnassat orchim, hospitalidade, que
pode ser defi nida como o acolhimento com satisfação,
por bondade ou caridade (Aurélio).
Certamente, esta mitsvá não se limita ao recebimento
de pessoas desconhecidas em nossas casas,
pois isso nos impediria de executá-la em nosso contexto
atual.
O conceito de hospitalidade se refere a algo
maior: trazer para perto e se relacionar com o desconhecido,
o diferente. Nada mais atual do que o conceito
de inclusão. É fundamental incluir os defi cientes
em nosso ambiente e respeitar os homossexuais,
tratar as pessoas de forma igual sem os diferenciar
por sua classe social, cor ou crença.
Recentemente, li um e-mail que contava a experiência
de Joshua Bell, um consagrado violinista,
ao executar peças musicais em um Stradivarius no
metrô de Nova York. Como ele vestia uma roupa
casual e muitos não conheciam seu rosto, não lhe
deram importância e o encararam com desprezo.
Não posso afi rmar que esta experiência foi real, mas
vale a mensagem. Para muitas pessoas, os indivíduos
pobres e sem status não merecem atenção. Elas os
tratam com rispidez e arrogância por acreditarem
estar em um nível superior.
Este comportamento é facilmente apreendido
por nossos fi lhos e alunos. Estou certa de que eles
nascem sem preconceitos, sem fazer discriminação.
Mas com o tempo, começam a exercitar este hábito,
às vezes repetindo o que vêem ou para experimentar
a sensação de se sentir melhor por fazer o outro se
sentir pior. Este comportamento deve ser desestimulado
por pais e professores, que muitas vezes fi ngem
não ver, e que só se importam quando a situação
chega a um nível descontrolado ou quando são
os seus fi lhos os prejudicados. Conhecidos casos
de bullying (em português, intimidação, deboche,
ofensa) demonstram que muitas crianças e jovens
utilizam este artifício para se sentirem superiores.
Os que sofrem continuadas intimidações podem ter
sérias conseqüências no futuro, inclusive suicídio
e homicídio. E os que agridem, sentem-se fortes e
poderosos. Ninguém os detém, nenhuma autoridade
ou lei. Hoje com os colegas, amanhã com os pais e,
no futuro, com a sociedade. Devemos educar para a
aceitação, a união, a inclusão. Já dizia nosso sábio
Hillel, “não faça com o próximo aquilo que você
não gostaria que fi zessem com você”. Sem dúvida,
isso nos ajudará a construir uma sociedade mais
acolhedora e um mundo melhor para todos.
Shabat Shalom

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