Vaiechí (5769)
Responsabilidade das gerações
Por Márcio Cameron
“É farás comigo caridade e verdade; rogo-te,
não me sepultes no Egito.” É com base nesse trecho
semanal que nossos rabinos deduziram que somente
a caridade que se faz com os mortos é a verdadeira,
principalmente, se praticada com as pessoas sem
recursos e sem parentes, já que não existe a possibilidade
de receber deles qualquer retribuição: Chessed
shel Emet.
Vem dessa interpretação a importância dada pela
comunidade judaica em todo o mundo à Chevra
Kadisha, incluindo o conforto aos enlutados.
Em que pese terem sido os melhores e mais tranqüilos
anos da vida de Jacob o período de 17 anos
em que viveu no Egito, o nosso patriarca pede a José
que “… não me sepultes no Egito. Quando eu dormir
com meus pais, me levarás do Egito e me enterrarás
em sua sepultura.”
Ele queria estar completamente assegurado do
cumprimento do seu desejo e faz com que seu filho o
oficialize por meio de um juramento. Temia ser idolatrado
ou que o Egito fosse considerado uma terra
santa, tanto assim que lá teria sido enterrado.
A haftará lida esta semana fala da aproximação
dos dias em que o rei David haveria de morrer e que
diz ao seu filho Salomão que iria pelo caminho de
todos os mortais, e que ele deveria seguir os ensinamentos
do Eterno, andando pelos Seus caminhos e
guardando Seus Estatutos.
Na parashá Vaiechi encontramos a tradicional
bênção proferida por Jacob sobre seus netos, filhos
de José com a sua esposa egípcia Asnat: “Deus te faça
como Efraim e Menashé”.
Essa atitude do nosso patriarca foi para assegurar
a continuidade judaica. Ela tem uma simbologia forte,
já que até hoje abençoamos nossos filhos pedindo que
o Eterno os iguale a crianças que nasceram e foram
criadas como príncipes egípcios, consideradas parte
do nosso legado.
Jacob sabia da sua responsabilidade pelo destino
e fé dos seus netos se ele não transmitisse as bênçãos
da nossa tradição. Nós sabemos sobre a nossa ascendência.
Contudo, precisamos atuar ativamente
para que possamos repassar a nossa herança judaica.
Baseia-se nesse trecho da Torá a alegria dos avós por
ocasião do Bar/Bat Mistvá de seus netos.
Ainda ecoam em meus ouvidos as palavras da
jornalista catalã Pilar Rahola quando enfatizou, na
nossa Sinagoga, sobre a importância do judaísmo
para a humanidade, em particular as Tábuas da Lei.
Dirigindo-se para os jovens cobrou deles o engajamento
com esses princípios, o não sentir vergonha de
ser judeu e o compromisso com o Estado de Israel.
Shabat Shalom




