Toldot (5769)
Prazer imediato
Por Arieh Zagarodny
Nesta interessante parashá é contada a história dos gêmeos Esaú e Jacob, filhos de Isaac, marcada por várias contradições e conflitos.Ensina a parashá que desde o ventre os dois irmãos já brigavam, pois eram totalmente diferentes física e espiritualmente.Esaú, o mais velho, era ruivo, peludo, corpulento, um homem do campo e caçador. Já Jacob era o seu oposto, tendo poucos pelos, mais intelectualizado e, de certa forma, uma pessoa urbana pois permanecia sempre na área do acampamento. O aspecto interessante da diferença de personalidade
e valores aparece quando Esaú, ao voltar do campo, entra na tenda de Jacob e pede que ele lhe dê naquele momento um prato de comida. Jacob, mais esperto, e já sabendo que não teria o direito natural à primogenitura, convence o irmão a trocá-la pelo que era neste episódio um mero prato de comida. Esaú prontamente o faz. Este fato nos permite traçar um paralelo com nossos tempos, devido à falta de interesse
da maioria dos judeus modernos na preservação de nossa herança judaica.Jacob entendia a primogenitura como sendo a maneira de preservar e manter a herança dos antepassados e as tradições. Isto para Esaú aparentemente
não era muito relevante, pois trocou uma importante herança familiar, moral e espiritual por uma satisfação imediata. Rebeca, a mãe de ambos, provavelmente também via a situação como Jacob, pois para ter certeza de que este receberia o direito de primogenitura, incentivou-o na mentira útil quando falsamente se passou por Esaú perante Isaac, o pai deles, para receber a bênção do primogênito.Atualmente grande parte das pessoas prefere os prazeres imediatos, com satisfação rápida, mas pouco
duradoura, em detrimento dos prazeres espirituais e morais que são mais “trabalhosos”, como freqüentar
um Shabat na congregação, educar os filhos judaicamente com ensinamentos, preserva tradições, praticar o bem de várias maneiras etc. Basicamente, um judaísmo ativo e conectado aos nossos tempos, como o pregado e praticado na nossa ARI.Um ótimo exemplo foi vivenciado recentemente por nossa família, quando inscrevemos nossas filhas na preparação para o Bat Mitsvá na ARI. Por um ano freqüentaram as aulas coletivas, estudaram e aprenderam a cantar a parashá, e participaram de atividades afins. Todo o esforço foi coroado com uma belíssima e emocionante cerimônia que nos marcou para sempre. As meninas ficaram entusiasmadas,
continuam freqüentando as aulas coletivas, já participaram ativamente em serviços religiosos e sentem saudades quando deixamos de freqüentar a sinagoga por uma ou duas semanas.Temos certeza de que “quem planta colhe”, pois já estamos tendo um retorno do esforço investido. Recomendo efusivamente este tipo de vivência a todos.
Shabat Shalom




