Bô (5769)
O escravo e o líder em cada um de nós
Por Ian Danado
Lemos na parashá Bô sobre a oitava praga, gafanhotos
nunca vistos antes ou depois.O desequilíbrio ambiental no Egito como justiça natural em resposta à obrigação imposta ao escravo hebreu de plantar sem desfrutar. Devastada a terra, surge a escuridão, penúltima praga, paralisando os homens por três dias. Não se veem os irmãos nem a curta distância. Ao mesmo tempo, nas casas do povo hebreu escravo, luz. Esta praga em resposta aos confinamentos em escuros calabouços sofridos pelo povo no período da repressão. Sobre esta escuridão, conta um midrash que, entre os israelitas, havia não-escravos ricos, que habitavam luxuosos palácios. Estes impediam a redenção
do povo, pois temiam ser expulsos e perder regalias, postergando a liberdade cada vez mais… Nesta escuridão desencarnaram e seus corpos foram sepultados sem que os egípcios notassem. Décima e última praga: a morte de todo primogênito
humano e animal do Egito. Dizem alguns sábios comentaristas que por Justiça Divina, em resposta à ordem do faraó de afogar os recém-nascidos hebreus no rio Nilo. Início da história do líder Moshé, “retirado
das águas”. A leitura segue ressaltando o tempo; a valorização
de um novo tempo. E na mistura do presente, passado e futuro surge nosso calendário e passamos a contar e recontar diariamente o nosso tempo a partir de nossa liberdade como povo: aí é mencionado o mês de Nissan como o primeiro de nosso ciclo de uma caminhada dura que se segue num lugar desértico, porém vasto, amplo e não mais estreito, não mais cativos, desesperançados, desorganizados e, por isso, desamparados. Contamos o tempo a partir da mistura da fé divina com ações históricas práticas, revolucionárias por serem transformadoras, como se nos dissessem, nas entrelinhas, que um ser humano escravo de algo ou alguém não pode, pois não tem condições para se dar conta real do tempo, seu verdadeiro valor ou mesmo a importância de cada instante. Faça uma pausa, veja que horas são, pense quem é você, em como é sua vida e como poderia ser, e guarde o livre arbítrio, que um ser livre detém para conceber múltiplas escolhas e soluções, para compreendermos o nosso estado de espírito e de nossos antepassados que vivenciaram, assim como vivenciamos, o eterno reequilibrar das imposições a cada um de nós, indivíduo e povo, com nossos verdadeiros anseios. O símbolo deste pensamento é o Tefilin, que nos é lembrete diário da necessidade de valorizar o tempo, ponderar, unir sensações, pensamentos
e ações sempre, a cada dia, para apurar o raciocínio, a sensibilidade e as ações.
Shabat Shalom




