Bereshit (5769)

Bereshit – o recomeço

Por Clara Rachel Gandelman

A Leitura da Torá não se encerra no final do ano,
mas se prolonga até Simchat Torá, quando fechamos
o rolo e imediatamente recomeçamos.
Nos cinco primeiros dias, Deus observava que o
que havia sido criado era bom. No sexto dia, criou o
ser humano e viu que era muito bom. Deus ficou satisfeito
com a Sua criação, e descansou. Um descanso
feliz, reconfortante após o ato da criação.
Do caos para a ordem, bondade e infi nitas possibilidades.
O milagre da criação do ser humano –
Deus toma algo da terra (adamá) e transforma isto
em um ser vivo (adam). E dá a este ser uma alma. A
despeito de nossas diferenças somos ligados através
deste ato criativo único. Porém a parashá termina
com o mundo à beira da destruição. O Senhor viu
quão grande era a maldade no coração do homem,
que o impulso para o mal dominava a humanidade
e lamentou profundamente. E Seu coração se entristeceu.
Como chegamos tão rapidamente de “muito
bom” para nada além de maldade todo o tempo?
Como lidamos com a possibilidade da tristeza de
Deus? Como chegamos ao exílio logo após sermos
criados?
Que belo mundo nos foi dado. Nós também podemos
nos tornar belos seres. Trazemos em nós o bem
e o mal. Nosso caminhar é uma constante escolha.
A redenção é possível, a destruição pode e deve ser
transformada em construção. Viver na monotonia do
Paraíso ou enfrentar o mundo com seus percalços e
suas alegrias?
As chances se renovam. Nós escolhemos os caminhos
que queremos trilhar. Onde e como nascemos
certamente terão infl uência muito grande em nossas
vidas, mas com certeza somos nós que moldamos o
nosso destino. Será que isto é ter sido feito à imagem
e semelhança de Deus? Deus é um. Cada um de nós
é um. Não há duas pessoas iguais.
O comentarista Jaime Barylko nos lembra o
Salmo 19: “A Torá de Deus está na terra”. A Torá
é a lei – todo o povo de Israel a recebeu de Deus no
Sinai através de Moisés. Somos o povo do pacto, da
aliança com Deus, um pacto que alimenta a esperança
quando estamos no negro desespero, que possibilita
que nossa história inspire uns aos outros a uma
responsabilidade similar e redentora. Precisamos
desta lei para nos orientar, para nos ajudar em nossa
constante busca pela escolhas certas, para termos o
poder e a liberdade de a cada momento dominar os
nossos maus impulsos, transformando nossas vidas,
direcionando nossos caminhos para o bem.
Shabat Shalom

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