Mikêts (5769)
Sonho e presságio
Por Bia Bach
Um dos temas da parashá desta semana vem bem a calhar para os tempos de hoje. A parashá Mikêts trata, entre outros, da economia de um país, em tempos de vacas magras, literalmente.
Você lembra os sonhos do faraó, que José interpretou? Um era o das sete vacas magras que comiam as sete vacas gordas; o outro, o das sete espigas miúdas que engoliam as sete espigas cheias.
Além de interpretar os sonhos do faraó – que o Egito teria sete anos de fartura seguidos de sete anos de escassez – José também propôs uma solução ao que anteviu naqueles sonhos: para que o povo egípcio não padecesse de fome e penúria, deveria, durante os anos bons, ser feita uma reserva de alimentos para os anos difíceis.
Em vez de as pessoas desperdiçarem os grãos colhidos em excesso, deveriam poupá-los para suprir suas necessidades quando os campos não produzissem.
O mundo vive uma crise econômica. Não sei se alguém teve um sonho premonitório sobre sua aproximação. E, se teve, será que apresentou solução? O que sei é que nós, pelo menos os associados e freqüentadores da ARI, podemos pensar em alternativas para amenizar os efeitos da crise em nossa Congregação.
A nossa sinagoga e todas as atividades que aqui realizamos são importantes para todos nós, sejam as de cunho educativo, religioso, de assistência social ou outras. Elas o são desde sempre, e se tornam ainda mais importantes quando vivemos momentos ou situações de crise, tanto no âmbito pessoal, familiar, de trabalho ou da coletividade.
Para que, em ocasiões difíceis possamos contar com a nossa Congregação, para que nossa Congregação possa nos dizer Hineni! – aqui estou, do seu lado, para lhe ajudar, para lhe amparar, é preciso que utilizemos uma estratégia semelhante àquela sugerida por José ao faraó. Temos que nos precaver. Na época das “vacas gordas” temos que armazenar recursos para garantir o “alimento” espiritual para o tempo das “vacas magras”. Temos que manter nossa Congregação funcionando a pleno vapor, para que aí possamos nos refugiar, para que aí possamos obter apoio e suporte, e encontrar estímulo e coragem para prosseguir e nos reerguer.
O povo judeu é campeão em sobrevivência e reconstrução. Cada um sabe que pode contar com o outro. Esta é a nossa fortaleza. Mas ela precisa ser cuidada e preservada por todos, para que possamos – todos! – recorrer a ela quando precisarmos.
Shabat Shalom




