Departamento de Educação

Departamento de Educação

MISSÃO

O Departamento de Educação da ARI é o setor responsável pela educação religiosa judaica complementar à da escola. Visa, entre outras coisas, estimular as crianças e jovens a se integrarem à sua comunidade, incorporarem no seu dia-a-dia as práticas e os valores do judaísmo e conhecerem melhor os fundamentos do Judaísmo Progressista. Isso envolve desde a educação infantil até o pós-Bar/Bat Mitsvá.

 

 

LINHA DO TEMPO

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ATUAÇÃO

Em 2011, a coordenação do Departamento de Educação da ARI foi assumida por Selma e José Raphael Bokehi, ainda no mandato da ex-presidente Evelyn Freier Milsztajn.

O departamento vem buscando sempre atender às expectativas do público que recebe, de forma a tornar a educação judaica prazerosa, além de favorecer a integração das famílias à nossa comunidade.

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Palestra com o sobrevivente do Holocausto Aleksander Laks, parte das atividades do curso de Bar/Bat Mitzvá

Atualmente o Departamento de Educação é composto pelos Coordenadores Selma e José Raphael Bokehi; Coordenadora Pedagógica do Pre e pós bar/bat mitsvá e Shabat Tseirim Gisele Nigri (Gica), Coordenadora Pedagógica do Garinim, Shabat Ieladim e Chaguim Deborah Dimant; Secretária do Departamento Maíra Tabajnihausky; Professores e Músicos que se distribuem entre as atividades de Garinim (voltado para crianças de 7 a 11 anos que estudam em escolas não judaicas), preparação para o Bar e Bat Mitsvá, aulas de Pós Bar e Bat Mitsvá, Shabat Ieladim e Shabat Tseirim. Todas estas atividades são planejadas e realizadas sob a supervisão dos rabinos Sergio Margulies e Dario Bialer.

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Existem planos para se ampliar o pós-Bar/Bat Mitsvá para uma faixa etária maior, a fim de oferecer aos adolescentes atividades específicas para eles na sinagoga.

 

HISTÓRIA

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Década de 1950

Em 1955, ainda na época do Grão Rabino Dr. Henrique Lemle (Z”L), foi criado o Kindergarten, jardim de infância da ARI, com uma turma às segundas-feiras pela manhã, ainda na sede da Rua Prudente de Morais nº 129. Após dois anos a atividade passou a ser cotidiana para crianças de três a seis anos.

É inaugurado, em 1958, o ensino primário do Colégio da ARI, com duas séries. Além do Kindergarten, em Ipanema, também eram ministradas as aulas do Beit Hassefer pelos Chazanim Aronshon e Friedlaender e pelas Professoras Ruth Josephsohn e Evelyn Perlov.

Década de 1970

Em 1974 a ARI profissionaliza seu Departamento de Ensino e oferece para mais de cem crianças: Gan Sameach: de três a seis anos; Beit Hassefer: de sete a onze anos; Pré Bar e Bat Mitsvá: de 12 a 13 anos; Pós Bar e Bat Mitsvá: para jovens ampliarem seu conhecimento de religião e história judaica.

Década de 1980

Com as obras de um projeto para o terceiro andar, já na sede da Rua General Severiano nº 170, foram criadas salas de estudo para o Gan Sameach.

Curiosidade: Em 1981, reúne-se na ARI semanalmente com o rabino Roberto Graetz mais de 80 jovens universitários para atividades sociais e culturais; muitos destes participam de grupo de estudo sobre pensamento judaico com o rabino.

Os rapazes e moças que celebram seu Bar e Bat Mitsvá passam a ler as haftarot, aos sábados pela manhã.

Em 1988 é inaugurado o Departamento de Ensino da ARI sob coordenação de Yara e Sérgio Feldman.

image6bcdDécada de 1990

Curiosidade: Em 1990, nos boletins mensais havia uma área dedicada às crianças que frequentavam o Departamento de Ensino (atualmente, de Educação). O logo do Departamento de Ensino foi criado pelo Daniel Azulay.

Década de 2000

Em 2008, são reinauguradas as salas do Departamento de Educação no 5º andar, após obras de ampliação na estrutura da ARI.

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OPA – Oficinas Profissionalizantes e Artísticas

OPA – Oficinas Profissionalizantes e Artísticas

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HISTÓRIA

A ARI, através da Comissão de Ação Social (CAS), mantém o projeto Iad Beiad desde 2003.

Inicialmente tinha como objetivo, através de atividades lúdico-culturais, integrar jovens judeus deficientes intelectuais.

A partir de 2005 o projeto estendeu-se aos Deficientes Intelectuais da comunidade maior.

Em setembro do mesmo ano, além de manter essas atividades, foram criadas oficinas piloto visando a dar aos participantes do projeto meios para o desenvolvimento profissional. Estas oficinas forneceram subsídios para a implantação, em outubro de 2006, das Oficinas Profissionalizantes e Artísticas – OPA, numa sala construída especialmente para este fim, nas dependências da ARI. As oficinas são orientadas por monitores voluntários.

Na Hora do Cafezinho, nós mantemos uma mesa onde os materiais criados por eles são expostos, para que as pessoas possam ver o quão eles são capazes.

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OS JOVENS

O OPA é destinado aos Deficientes Intelectuais maiores de 18 anos.

Os jovens chegam através de indicações e fazemos uma avaliação para que possam se juntar ao grupo.

Para eles, o maior desafio é serem aceitos primeiro por suas famílias e, depois, pela comunidade.

Outro desafio é preparar esses jovens para uma sobrevivência no dia-a-dia sem a dependência de seus pais. Isto inclui tarefas domésticas como passar, lavar, usar o forninho, etc.

AS OFICINAS

O ingresso nas oficinas dependerá de uma avaliação por uma equipe de profissionais qualificados e voluntários.

Durante os atendimentos no OPA, os jovens são avaliados em diferentes quesitos: pontualidade, interesse, concentração, ritmo de trabalho, manuseio, limpeza, respeito, trabalho em equipe, qualidade do produto, todos indispensáveis a inclusão no mercado de trabalho.

As oficinas são:

  • ARTES: Utilização de diferentes técnicas como pintura, decupagem, colagem e outras na execução de produtos com diversos materiais tais como madeira, tecidos, emborrachados, couro, entre outros.
  • COSTURA: Manuseio das agulhas para bordados e costura manual e aprendizagem do uso da máquina de costura.
  • CULINÁRIA: Ensino do manuseio dos diferentes utensílios de cozinha (facas, raladores, liquidificador, batedeira, micro-ondas), da medição de quantidades, do modo de preparo dos alimentos, da limpeza, organização, hábitos e atitudes higiênicas exigidas numa cozinha.
  • FIOS E CONTAS: Atividade de psicomotricidade com ênfase na coordenação motora fina indispensável na elaboração de produtos com variedade destes materiais.
  • HOT-STAMPING: Personificação de cartões, fitas, guardanapos, kipot, através do manuseio de máquinas e ferramentas específicas.
  • MONTAGEM: Prestação de serviços a terceiros: etiquetagem, envelopamento, montagem de kits e embalagens, etc. Confecção de produtos utilizando ferramentas próprias como máquina de colocação de ilhoses, furadora para espirais, alicates, martelos, entre outras.
  • PAPELARIA: Confecção de artigos como: blocos, cadernos, cartões.
  • PAPEL RECICLADO: Produção artesanal de papel reciclado.

COMO AJUDAR

  • Tornando-se voluntário da nossa equipe;
  • Contratando nossos serviços;
  • Doando materiais;
  • Oferecendo oportunidades de estágio;
  • Oferecendo oportunidades de trabalho;
  • Ajudando financeiramente: Fazendo um donativo em prol do OPA na Secretaria da ARI, oferecendo recursos para a compra de materiais, ferramentas ou equipamentos, comprando nossos produtos.

EQUIPE DE COORDENAÇÃO

Tamara Bronstein Landsberg – coordenadora geral
Hanka Moczijdlower

CONTATOS

Telefones: 2156-0417 / 98808-5045

E-mail: oficinas@arirj.com.br

CAS – Comissão de Ação Social

CAS – Comissão de Ação Social

BENILCE TAMARA SERGIO CARLOS SILVANA NORMA COM AS CRIANÇAS FESTA DAS CRIANÇAS DA ARI 18 OUT 09 06

HISTÓRIA

 

Tudo começou nos anos 1990, com o rabino Roberto Graetz e o Dr. Alfred Lemle – filho do saudoso rabino Henrique Lemle (Z”L) – e fortaleceu-se quando o rabino Graetz começou a participar dos Encontros Inter-religiosos e percebeu que uma associação religiosa como a ARI deveria desenvolver ações sociais e de promoção de inclusão, dentro e fora da comunidade judaica.

As atividades começaram dentro de casa, com o fornecimento de benefícios sociais aos funcionários da própria ARI. Com o tempo, a Comissão de Ação Social passou a desenvolver vários projetos com o objetivo de prestar assistência às pessoas e instituições de nossa comunidade e da comunidade maior, sem deixar de lado a seu apoio aos funcionários.

Atualmente, a CAS é composta por voluntários supervisionados pela coordenadora Françoise Sztajn e por sua vice, Benilce Chaves.

 

PROJETOS

 

– Tsedakari
Campanhas pontuais, com duração de dois a três meses, que contemplam duas instituições beneficentes (judaicas ou não). Toda sexta-feira, na Hora do Cafezinho no Salão Nobre da ARI, são recolhidas doações para a montagem de kits com material escolar, alimentos não perecíveis, leite em pó, material de higiene e brinquedos.

– Doações Espontâneas
Todas as doações feitas para a ARI são avaliadas e classificadas pelos voluntários, antes de serem distribuídas às diferentes instituições e famílias apontadas pela comunidade.

– Conexão
Seu objetivo é fazer a conexão entre quem precisa e quem pode ajudar. A ARI recebe em certas ocasiões um pedido de ajuda de uma instituição ou a oferta de um doador, e procura específicamente doadores no primeiro caso ou instituições interessadas no segundo, sem campanha de doações específica.

– Caixa de Tsedaká
Existem três caixas de Tsedaká à disposição na ARI (uma na recepção e uma em cada entrada das sinagogas) para quem quiser deixar sua doação.

– Caixa Minian
A arrecadação é feita às quintas-feiras, após a reza na hora do estudo.

– Cofrinho Tsedaká
Os cofrinhos têm como objetivo estimular a participação de adultos e crianças a praticar a Tsedaká. Eles ficam no hall da sinagoga principal da ARI e também podem ser solicitados na Secretaria. Depois de cheios, são devolvidos e o dinheiro é contado pelos voluntários da CAS, com o auxílio de um dos jovens assistidos pelo OPA. Tudo que é arrecadado é destinado para os projetos da CAS.

– Mahot Chitim
É feita uma arrecadação em espécie, durante a Hora do Cafezinho. Esta arrecadação é enviada diretamente para o Mahot Chitim, para a compra de mantimentos entregues às famílias de baixa renda, em Pessach e Rosh Hashaná.

– Iad Be Iad / Oficinas Profissionalizantes e Artísticas
A OPA tem como missão o desenvolvimento das habilidades e capacidades de jovens com deficiência intelectual, promovendo sua integração e reconhecimento pela sociedade, através da profissionalização e da arte. As oficinas artesanais são utilizadas como instrumento para preparar para o cotidiano do ambiente de trabalho; capacitar para a vida profissional; valorizar o conceito trabalho/remuneração; incluir o jovem no mercado de trabalho; estimular habilidades artísticas; e executar atividades ocupacionais. Todas as sextas-feiras, na Hora do Cafezinho, existe uma mesa dedicada à exposição e venda dos artesanatos criados pelos jovens assistidos pelo OPA.

– Hinêinu
Um grupo de sócios da ARI e ativistas da CAS, sob supervisão do Rabinato, dão atenção e carinho aos membros de nossa congregação que passam por um momento de dificuldade, seja física ou emocional.

– Dia do Voluntário (05 de dezembro)
É celebrado na primeira sexta-feira mais próxima à data com um jantar de adesões em homenagem aos voluntários da ARI. Há sempre a participação de uma ONG e uma atração cultural desenvolvida especialmente para os homenageados.

– Dia das crianças
Evento para os filhos dos funcionários da ARI, com diversas brincadeiras, lanches e presentes.

– Grupo Kibud
Grupo de voluntários que desenvolve diversas atividades no Lar União: celebração dos feriados judaicos; comemoração dos aniversariantes do mês (com direito a festa e presentes!); e visitas semanais para dar atenção aos residentes. O grupo também apadrinha as necessidades de substituição e manutenção de artigos religiosos.

– Bombeiros
No dia de Natal, representantes da diretoria e voluntários da ARI visitam um quartel e presenteiam os bombeiros com panetones, para agradece-lhes pelo trabalho de cuidar da comunidade em geral durante o ano.

– Bar/Bat Mitzvá
Voluntários auxiliam as famílias, normalmente encaminhadas pelo Rabinato, que não têm condições de arcar com as despesas de uma festa. São doados vestuários (masculino e feminino) e todos os complementos necessários para que o evento ocorra, incluindo a atração musical. Muitas vezes, os voluntários também auxiliam na organização da festa.

– Apoio a Funcionários
A CAS auxilia os funcionários da ARI na realização de exames médicos e outras necessidades relacionadas à saúde. Em Pessach, há o costume de distribuir matsá aos funcionários judeus e ao grupo do Minian, e chocolates para o restante dos funcionários, numa referência à Páscoa. No Natal, os funcionários não judeus recebem uma contribuição para ajudar a realização de sua ceia. Também são feitas doações de roupas, alimentos e material escolar, captados com projetos da CAS.

GALERIA

Oren Boljover: “Emocionar as pessoas é uma bênção.”

Oren Boljover: “Emocionar as pessoas é uma bênção.”

Esta semana, conversamos com Oren Boljover, chazan da ARI:

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Quando e como começou a trabalhar na ARI?
Cheguei à ARI como candidato ao lugar de chazan em fevereiro de 1978. Fui escolhido e comecei em junho do mesmo ano. Fiquei até 1994 e, 14 anos depois, em 2008, recebi o convite para voltar.

Meu começo, em 1978, numa congregação de imigrantes e seus filhos, com determinados códigos, padrões e linguagens, foi muito diferente a minha volta em 2008, quando as pessoas, algumas ideias e formas já eram outras. Poderia até se falar em duas congregações diferentes, pois tive de passar por dois processos de adaptação. Mas isso nunca diminuiu a felicidade de estar aqui. Na primeira vez, a ARI era o tipo de congregação que eu estava procurando. Na segunda, foi um “voltar a casa”, o lugar onde tenho afetos profundos e onde faço o que amo.

Quais os momentos mais emocionantes que você presenciou como chazan?
Os rabinos, o chazan André e eu não presenciamos, nós vivemos junto, acompanhamos. Convivemos no dia-a-dia com emoções diversas, derivadas do ciclo de vida das famílias. A própria congregação, em todos esses anos, também passou por momentos muito marcantes, com eventos felizes e outros traumáticos. Isso é a vida, e nesse trabalho estamos à serviço daquilo que as pessoas vão vivendo e precisando. Por isso, os momentos emocionantes são muito frequentes.

2Como você cuida da sua voz? Como se prepara para um evento?
Há uma série de cuidados que a pessoa que trabalha com seu corpo deve ter. A voz é o resultado do funcionamento de um sistema bastante complexo, pelo que é preciso cuidar da saúde, de técnicas respiratórias, do fortalecimento da musculatura laríngea e abdominal, da própria técnica de emissão dos sons. No meu caso, se eu não trabalhar isso diariamente, começo a sentir dificuldade, assim como acontece com qualquer atleta ou instrumentista.

Um aspecto fundamental é evitar o estresse vocal. O abuso vocal cansa. Há que se evitar que a voz fique cansada a cada dia. Há repousos vocais obrigatórios, para se recuperar do uso, para que a voz se mantenha sadia e plena, para que na hora soe limpa. Mas essas são as considerações técnicas do dia-a-dia. Já nos minutos anteriores a uma reza eu me preparo rezando. Peço para ser um instrumento útil e eficiente, para que meu congregante receba algo que lhe faça bem.

Gosta de cantar outros estilos musicais?
Sim! Canto e ensino muitas coisas, do clássico ao popular.

No que a técnica de canto litúrgico se diferencia dos outros estilos?
Em nada. Mas é preciso a gente ter claro o papel de um oficiante religioso. Então, o que se diferencia é a intenção.

Você também é cantor de ídiche, não? Como é o trabalho de preparação desse repertório?
O trabalho de preparação desse repertório não é muito diferente de outros. Procuro permanentemente novas canções e preparo arranjos bons para os acompanhamentos. Pesquiso autores, épocas e temáticas, informações que escrevo nos textos introdutórios para cada canção. Ouço gravações de Itzik Manger lendo seus poemas, o discurso de Bashevis Singer recebendo o Nobel de Literatura e outros. Assim, levo ao ouvinte a um contexto determinado que o prepara para a canção que ouvirá. Gosto de distribuir à platéia orientações com fonéticas e traduções, para um momento de canto coletivo.

Há algum motivo que te levou a cantar neste idioma?
O motivo que me leva a cantar em ídishe é afetivo e de missão: a língua materna (em ídish “mame loshn”) ocupa um espaço muito denso na identidade da pessoa. Por isso, o contato com ela nunca é uma experiência leve, superficial, sempre provoca sentimentos fortes e profundos, revive lembranças de todo tipo. No caso do ídishe, trata-se da língua materna de muitos milhões de judeus. Se não tivesse havido a Shoá, seriam muitos milhões mais. Eu me dedico ao repertório musical em ídish com muito amor e prazer.

No recital que fiz recentemente para o grupo “Amigos do Ídiche”, no CIB havia 400 pessoas e quase 200 outras não conseguiram ingresso. Para mim, como pessoa e como artista, emocionar as pessoas é uma bênção que agradeço a cada dia, sem exceção.

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Oren Boljover no recente recital que fez ao grupo ‘Amigos do Ídiche’: platéia lotada

Márcio André Sukman

Márcio André Sukman

pd1O Centro de Referência e Pesquisas sobre o Holocausto Família Zinner é um espaço multimídia dedicado ao tema dentro da ARI. Em conjunto com a Bnai Brith, o Centro realiza um projeto de preparação de professores de escolas públicas para o ensino da Shoá. Esta semana conversamos com Márcio André Sukman, sócio da ARI e um dos coordenadores desta iniciativa.
O que é este projeto?
O Grupo de Estudo Sobre o Holocausto busca incentivar o estudo e a compreensão do tema do Holocausto por parte dos professores, sugerindo ferramentas, fontes, temas, debates para seu ensino nas salas de aula.

Quando e como ele surgiu?
No seminário da ARI, realizado em Itaipava em novembro de 2013, me dispus a organizar um projeto para o Centro de Referência e Pesquisa do Holocausto Família Zinner, que funciona na ARI. No início deste ano, assisti no Programa Comunidade na TV o Sr. Jayme Gudel, membro da Bnai Brith que, voltando de um curso no Yad Vashem, convidava a comunidade para organizar um grupo de estudos sobre o Holocausto. Fizemos uma reunião e, junto com o Professor Roberto Antunes, da Secretaria Municipal de Educação do Rio, decidimos criar esse grupo.

Como ele funciona?
O grupo de estudo acontece a cada três semanas, nas noites de quarta-feira, na biblioteca da ARI, onde funciona o Centro. Serão 10 encontros ao longo do ano, nos quais os coordenadores e alguns dos participantes são encarregados da apresentação do tema a ser debatido. Também participarão convidados, como o Sr. Alexander Laks e a escritora Sofia Débora Levi.

Qual o conteúdo?
Buscamos, dentro do possível, criar um programa que cubra o tema no seu eixo cronológico e temático, desde as raízes da criação do nazismo, passando pela entendimento da política de extermínio até suas conseqüências atuais, seja o negacionismo ou o significado do Holocausto no século 21, por meio das artes, das pesquisas e dos lugares de memória.

 

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Quantas escolas públicas e professores já foram atendidos?
Nesse primeiro grupo temos a participação de 10 professores de escolas municipais e estaduais, que em sua maioria já têm conhecimento sobre a temática judaica ou da língua hebraica, portando títulos de pós-graduação nessa matéria.

Qual a opinião dos professores sobre o projeto?
Os professores têm grande curiosidade e interesse na matéria. Demonstram grande curiosidade e, mesmo cansados após o dia de trabalho, participam com grande interesse dos debates.

Eles já utilizaram o conhecimento adquirido em sala de aula? Qual a reação dos alunos?
Sim. É interessante ouvir o relato dos professores de como trabalham o Holocausto em sala de aula, associado a inúmeras questões ligadas aos direitos humanos e como os alunos, muitos dos quais vivem em comunidades carentes, se sensibilizam com esse tema.

Quais os próximos passos?
Nosso grupo de estudo é voltado exclusivamente para os professores. Ainda esse ano será organizada, mais uma vez, pelo Bnai Brith e a Secretaria Municipal de Educação, a Jornada de Estudo do Holocausto nas cidades do Rio de Janeiro e Niterói, bem como visitaremos uma escola municipal onde será feita uma apresentação sobre o Holocausto para alunos e professores. No próximo ano, planejamos continuar, aumentar e diversificar esse trabalho do ensino do Holocausto.

Qual sua ligação com o tema da Shoá?
Como judeus, o tema do Holocausto é tão presente em nossas histórias de vida que sentimos como se tivéssemos vivido aquele momento, como cada um de nós de fato houvesse passado por um campo de concentração. Querendo ou não, somos marcados por esse terrível acontecimento. No meu caso, cresci em uma época ainda determinada pelas conseqüências da Segunda Guerra Mundial, o que sempre me fascinou. Compreendê-lo, ensiná-lo, aprofundar o conhecimento, homenagear as milhões de vítimas é meu mote pois de fato tenho dúvidas se o homem de fato aprendeu algo desde o seu ocorrido.

Brito, um dos responsáveis por gerenciar a equipe de funcionários da instituição

Brito, um dos responsáveis por gerenciar a equipe de funcionários da instituição

‘Vocês são uma família para mim’

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Esta semana conversamos com o José Oliveira de Brito Filho, o Brito, há quase 30 anos trabalhando na ARI. Muito querido por todos, ele é um dos responsáveis por gerenciar a equipe de funcionários da instituição.

Há quanto tempo você está na ARI?
Em 1985, recebi um voto de confiança e vim pra cá. Eu fazia projetos em diferentes lugares, naquele momento estava trabalhando no prédio ao lado da ARI. Logo em seguida, a ARI estava precisando de gente para resolver uns problemas de infra-estrutura e já são 29 anos desde que eu cheguei. Tenho muito orgulho de estar aqui há tanto tempo.

Como é a sua relação com a instituição?
Vocês são uma família pra mim, não só um emprego. Eu já tinha algum conhecimento sobre a comunidade judaica, mas eram bem superficiais. Às vezes as coisas são distorcidas, é diferente do que eu vejo hoje. Eu faço parte do dia-a-dia aqui e só tenho surpresas boas. Eu admiro a comunidade, vejo as pessoas se empenhando para fazer as coisas acontecerem e é muito bom viver isso tudo.

Fale um pouco sobre o seu trabalho aqui
Eu fico sempre em contato com a Administração, a gente vê o que é preciso para a manutenção do patrimônio, quais são as necessidades dos ambientes da casa e também tenho que gerenciar em paralelo atividades como escalar os funcionários por dias e horários, quem faz o quê, quem fica onde, de acordo com a necessidade do momento. Tem também todo o suporte à Chazit, que faz parte da ARI.

“Nas festas, sou muito perfeccionista.
No final, eles vêm me agradecer e fico emocionado
quando dizem que um sonho foi realizado.”

Eu também fiscalizo os funcionários do cerimonial contratado quando há Bar Mitsvá e Casamentos. Fico até o final para ver se deu tudo certo. Sou muito perfeccionista, dou o meu melhor para que saia tudo correto. São muitas responsabilidades e estou lá pra que o evento, a concretização de todo esforço da equipe ARI, aconteça.

Tem muitas pessoas que chegam inseguras, por se tratar de um evento importante. Eu tento ajudar falando palavras de apoio e no final elas vêm me agradecer, é uma experiência muito legal, eles são muito gratos, fico muito emocionado quando dizem que um sonho foi realizado.

Muita coisa mudou nesses quase 30 anos de ARI?
Antigamente, quando eu entrei aqui, não existia “cerimonialista” para ajudar a preparar os eventos. Tudo ficava por conta da família e o suporte que eles recebiam era da gente. Lembro que não tinha DJs, a gente colocava fitas K7, fazia a iluminação, preparava o espaço para a “banda”, tudo pra criar o melhor clima pra família que está fazendo o evento.

Algum momento especialmente marcante?
Tem uma hora, à tarde, quando estamos montando um casamento ou desmontando um Bar Mitsvá da manhã, em que chegam algumas pessoas para a sinagoga do terceiro andar fazer a reza dos enlutados. Eu fico muito emocionado vendo-as irem rezar pelos seus entes queridos que faleceram, me sinto um deles. Eu lembro da perda do meu pai, da minha mãe, isso mexe comigo. Mesmo sendo um dia de festa, é uma reação humana se solidarizar com a dor.