Shemot

Shemot

sheShemot/Êxodo 1:1-6:1

A Parashá de Shemot é a primeira porção semanal do livro Exôdo, que versa sobre o nascimento de Moshé e sua vida até o momento em que volta ao Egito como mensageiro de Deus para pôr fim à escravidão dos hebreus. Esse pequeno trecho da narrativa bíblica é caracterizado por sua imensidão de símbolos, aprendizados, e mensagens que se aplicam à nossa vida judaica. No entanto, uma das interpretações que me agrada é aquela que divide a trajetória de Moises em duas, uma mundana e outra espiritual.

Desde seu nascimento, Moshé é considerado um “homem bom”. Essa característica é realizada mais tarde, quando luta e debate por uma equidade nas relações entre o egípcio e o hebreu, bem como entre dois hebreus. Porém, o senso de justiça de Moshé, até então, recaía sobre aquilo que seus olhos avistam. É essa a característica que leva Moshé ao encontro de Deus. Há um midrash, que nos conta que Moshé não foi o único a avistar a sarça ardente, mas foi o único a refletir sobre essa visão.

A partir desse momento, no qual Moshé se espanta com aquilo que vê e busca uma compreensão aprofundada, ele se torna um mensageiro de Deus e sua trajetória passa a buscar a justiça não só sobre aquilo que enxerga, mas também sobre todos os aspectos da vida do povo hebreu, interna e externamente. Acredito que essa é uma importante lição para os nossos dias. Devemos compreender de maneira complexa aquilo que nossos olhos veem, para garantir uma realização justa sobre a nossa vida e a de todos que vivem conosco.

Shabat Shalom,
Rodrigo Baumworcel

Vaiechi

Vaiechi

12w32Bereshit/Gênesis 47:28-50:26

Vaiechi Iaacóv – Viveu Iaacóv 17 anos na terra do Egito. Este foi o mesmo número de anos que viveu na casa de seus pais. Coincidentemente, Abraham também viveu o mesmo número de anos na casa dos pais dele, junto com seu filho Itschak.

Esta é a última parashá do livro de Gênesis, que cobre a história dos patriarcas. Na próxima semana passaremos para o livro de Êxodo, que relatará a história de uma nação.

Nesta parashá, que descreve os úlitmos dias de Iaacóv, destacamos alguns trechos que se tornaram marcantes na nossa história. Ao sentir que seus dias estavam chegando ao fim, Iaacóv chama a Iossef, que atende ao chamado levando seus dois filhos Menashe e Efraim.

Neste momento, Iaacóv se dirige a Iossef e o informa que “Efraim e Menashe serão meus filhos não menos do que Ruben e Shimon”. Nesta oportunidade, Iaacóv inverte a ordem dos nomes de Efraim e Menashe antecipando sua intenção de fazer de Efraim aquele que receberá sua benção maior. Iossef terá como herdeiros seus outros filhos. E assim foram criadas as DOZE TRIBOS de Israel, entre as quais serão divididas as terras de Canaan. A tribo de Levi não terá direito a possuir terras e José será substituido por seus flhos Efraim e Menashe.

Em sua benção, Iaacóv diz: “E através de vocês Israel invocará suas bençãos, dizendo: Deus o faça como Efraim e Menashe”… e até hoje abençoamos nossos filhos desta forma.

Em seguida, Iaacóv se despede de seus filhos com a intenção de informá-los sobre o que sucederá no futuro. Mas não é isto que acontece, pois passa a falar de forma poética sobre o caráter e as qualidades de cada um.

Finalmente, ele pede a Iossef que o enterre na gruta de Machpelá onde estão enterrados Abraham e Sara, Itschak e Rivka, e sua esposa Lea. Rachel foi enterrada na estrada para Efrat, após o nascimento de Biniamin, e nossos rabinos comentam que a menção deste fato é uma justificativa de Iaacov a Iossef por não ter levado sua mãe para a gruta de Machpelá.

Shabat Shalom,
Samuel Benoliel

Miketz

Miketz

mikzBereshit/Gênesis 41:1−44:17

A Parashá de Miketz é a décima Parashá do primeiro livro da Torá. Ela relata em pormenores uma conhecida história: o Faraó tem um sonho e nenhum de seus magos pode interpretá-lo.

O copeiro do Faraó então, lembrando da promessa feita a Iossef anteriormente, indica ao Faraó o nome deste hebreu, que seguia preso. O Faraó manda chamar Iossef e este interpreta seu sonho, explicando que Mitzraim enfrentará sete anos de bonanças e, posteriormente, sete anos de penúrias.

O Faraó, percebendo então a sabedoria de Iossef, contrata-o como seu imediato e lhe confere poderes quase absolutos. Durante os sete anos de penúria, falta pão em todos os países, menos no Egito. Vendo isto, Avraham envia seus filhos, a exceção de Biniamin, para comprar comida. Seus irmãos, sem saber com que falavam, negociam com Iossef e este pede, insistentemente, que os irmãos tragam também a Biniamin para provar sua retidão.

Após a vinda de Biniamin à terra de Mizraim, a Parashá termina com os irmãos sendo abordados em seu caminho de volta a Canaã e o emissário de Iossef encontrando um cálice (escondido por ordens de Iossef) nas bolsas de Biniamin.

A Parashá nos relata alguns momentos dramáticos nas vidas de Iossef e Iaacóv (e, consequentemente, de todos os seus irmãos e filhos, respectivamente). Primeiramente, temos o fato de Iossef ascender da posição de prisioneiro à de imediato do Faraó. Ademais, temos a narrativa do drama entre os irmãos que traíram Iossef aparecerem a sua frente e Iaacóv relutando em deixar que Bainiamin viaje, temendo que este tivesse o mesmo fim que teve Iossef (aparentemente).

De inicio nos resulta muito difícil entender a postura de Iossef ao reencontrar seus irmãos. Seguramente existe uma mescla entre raiva pelo que passou e vontade de ajuda vendo a situação deles na Terra de Canaã. O relato da Torá, ao contar tantas indas e vindas dos irmãos até que Iossef finalmente se identifica como tal, demonstra os embates sentimentais aos quais estamos submetidos como seres humanos.

A Torá humaniza a figura de Iossef, mostrando que inclusive nossos patriarcas, pessoas cujas histórias são repetidas até o dia de hoje, eram, em ultima instância, humanos.

Shabat Shalom.
Felipe Lacs Sichel

Vaieshev

Vaieshev

vaieBereshit/Gênesis 37:1−40:23

A Mensagem de Deus

Quando jovem os sonhos de José (Iosséf em hebraico) o colocaram num mau caminho. Ele sonhou com sua grandeza, com a submissão dos irmãos e com a elevação acima dos pais.

Compreensivelmente a família não ficou muito satisfeita com ele e indesculpavelmente os irmãos resolveram mata-lo. No final o pouparam, tendo “apenas” vendido ele como escravo para uma caravana que se dirigia ao Egito.

A servidão na casa de Potifar (um alto funcionário da corte do Faraó) amadureceu o jovem e quando ele foi confrontado de novo com sonhos – desta vez não os sonhos dele, mas os de colegas de infortúnio – ele os usa para sair da servidão e para se elevar através da colocação de seu talento a serviço do governo e, em última análise, de toda uma população afetada pela fome.

A história de José tem muitíssimas outras nuances e infinitas possibilidades de interpretação, mas certamente o brevíssimo sumário acima é uma avaliação válida do relato, se bem que certamente não a única.

Em Bereshit / Gênesis, Deus se comunica com os homens através dos sonhos em muitas ocasiões. Jacó descobre que Deus existe na Terra através de um sonho. Avimelech entende que cometeu um erro ao levar Sara para a sua casa através de um sonho e José é o “mestre dos sonhos”, conforme a qualificação derrogatória dos seus irmãos.

Assim que, o uso que José faz de seus sonhos nos ensina sobre do uso do poder da mensagem de Deus. Ela pode ser usada de forma destrutiva ou construtiva. A mensagem divina não é boa em sua essência: seu potencial positivo depende do uso que fazemos dela. A mensagem de Deus cria a religião. Então temos aí, penso eu, um dos ensinamentos da história de José: a validade da religião depende do uso que fazemos dela. De qualquer religião, não apenas do judaísmo.

Olhemos ao nosso redor: a religião impulsiona o ISIS em seu impiedoso massacre de todos os não aderentes que têm a infelicidade de lhe caírem nas mãos. Ao mesmo tempo a religião impulsionou a formidável obra de Zilda Arns a favor dos pobres de nosso país.

Olhemos mais para perto. A mesma religião que convida a ortodoxia judaica a construir comunidades admiravelmente solidárias a faz amargurar pesadamente a vida das mulheres que almejam se divorciar e não têm o consentimento dos maridos.

Que saibamos usar a religião para o bem. Que não acreditemos, nem por um minuto sequer, que o fato de aderir a regras rituais nos exime de compreender e amar a humanidade em sua admirável e divina diversidade e de julgar as ações dos homens.

Shabat Shalom
Raul Cesar Gottlieb

Vaigash

Vaigash

vaigBERESHIT/GÊNESIS 44:18−47:217

Vaigash é a penúltima a parashá de Bereshit. Ela conta o final da história de José com os irmãos, desde o momento em que os irmãos se desesperam perante a acusação de roubo que sofre Benjamim até o fim do disfarce de José diante dos irmãos e o seu reencontro com Jacó, seu pai.

Há muitos momentos emocionantes nesta parashá: José chora ao se revelar aos irmãos, chora ao abraçar Benjamim, chora ao reencontrar Jacó. É um momento de perdão e de amor. José não quer que seus irmãos lembrem-se de que o venderam. Estes demonstram arrependimento pelo que fizeram ao não aceitar voltar a Canaã sem Benjamim, o filho mais novo.

Mas vale prestar atenção à história de Jacó. Ela está chegando ao fim com certo alívio e tranquilidade. Jacó não acreditava que seu filho pudesse estar vivo ainda, mas se convence e leva a família inteira para o Egito depois de Deus lhe falar pela última vez.

Ao ser perguntado por Faraó “quantos são os dias de teus anos de vida”, Jacó responde “os dias dos anos de minhas peregrinações são centro e trinta anos; poucos e maus foram os anos de minha vida. Este foi o nosso patriarca, que passou por momentos de muita angústia com Esaú, Labão, o anjo contra quem lutou, Diná, José, Simão e Benjamim.

Depois de muito sofrimento, Jacó parece alcançar a paz no Egito, embora longe de Israel, e viver em paz seus últimos anos.

Shabat Shalom,
Paulo Koatz Miragaya

Vaishlach

Vaishlach

db5bd6a7-a4a4-4ee7-9f1e-8b1163f1ce07Bereshit/Gênesis 32:4-36:43

O Medo de Iaacóv

A Torá conta a história de Iaacóv e Essav, que brigavam no ventre da mãe Rivka pela progenitura. Essav, por ser o mais forte, consegue nascer primeiro, mas Iaacóv vem agarrado ao seu tornozelo. Quando adulto, orientado por Rebeca, Iaacóv consegue trocar a progenitura com Essav por um prato de lentilha.

A Parashá Vaishlach vem contar a história do reencontro desses dois irmãos, após uma longa ausência de Essav. Ao deixar a casa de seu sogro, Iaacóv parte com suas mulheres, filhos, criados e gado para a terra de seu pai. No caminho, fica sabendo que seu irmão vem ao seu encontro. O medo pelo que acontecera no passado envolve Iaacóv, afinal ele havia se aproveitado de um momento em que o irmão, faminto, lhe pede um prato de comida. Iaacóv consegue não somente a progenitura, mas a benção de seu pai, enganando-o ao fazer-se passar por Essav.

A reflexão sobre o que tinha ocorrido encheu Iaacóv de um grande medo, que o levou a tomar três atitudes: enviar presentes (touros, carneiros, jumentos etc.) para seu irmão, pensando “quem sabe assim ele esquece o que passou e não vem me matar”; rezar para Deus proteger-lhe; e preparar-se para lutar. Iaacóv teme que suas mulheres, crianças e animais sejam violados ou mortos e resolve separá-los em dois grupos, tentando evitar assim perder tudo que conseguiu.

Ao ficar sozinho, Iaacóv lutou com um Anjo de Deus por toda noite e não parou até que o anjo o abençoasse. O anjo perguntou o seu nome e ele respondeu: “Iaacóv!” E o seu nome foi trocado para Israel, pois tinha lutado com um anjo e vencera. Entretanto, essa luta deixou machucado o nervo da sua coxa e Iaacóv – agora Israel – passou a manquejar. Por esta razão, o povo judeu não come o nervo da conjuntura da coxa dos animais.

A troca do nome Iaacóv para Israel significava também o despertar de um novo homem. Iaacóv – um homem comum e com suas fraquezas – lutou pelos seus desejos com seu irmão (de quem obteve a primogenitura), com seu sogro (pelo direito de se casar com sua amada Rachel) e com o Anjo de Deus (por causa de suas faltas) e venceu todos! Já com a alma íntegra, recebeu o nome de Israel (aquele que venceu as forças sobrenaturais). Aliás, a palavra Israel em hebraico é composta pelas iniciais dos nomes dos patriarcas e matriarcas: Itzchak, Sara, Rachel e Rivka, Abraham e Lea.

O reencontro com seu irmão Essav foi pacífico. Os dois abraçaram-se, beijaram-se e choraram e Iaacóv apresentou sua família ao irmão e insistiu para que Essav aceitasse seus presentes e tudo ficou em paz, felizmente.

Iaacóv seguiu viagem para Sucot, onde fez cabanas para seu gado, razão do nome de Sucot, e edificou uma casa em honra de Deus. Comprou terras, armou suas tendas e fez um altar para Deus. Porém, um dos rapazes da terra deitou-se com a filha de Iaacóv e Lea, Diná, desonrando-a. Embora as famílias tenham tentado consertar o erro, os filhos de Iaacóv, Shimon e Levi, não se conformando com a desonra sofrida, mataram o rapaz e a família dele e todos daquele lugar, pois a santidade da família de Iaacóv havia sido ultrajada. Entretanto, os filhos de Iaacóv mataram pessoas inocentes e ele os repreendeu pelo que haviam feito. O medo reinstala-se na alma de Iaacóv, que foge com sua família para Bet-El.

A vida de Iaacóv foi de muito sofrimento. Partiu com sua família para Efrat, mas no caminho, Rachel morre ao dar à luz a seu segundo filho Biniamin (que vem de Ben-Oni) cujo significado é “filho de minha dor”, porque Iaacóv amava a Rachel e sua morte causou-lhe muita dor. Rachel foi sepultada no caminho para Efrat. Iaacóv ainda encontrou seu pai Itzchak vivo e levou-o à sepultura junto com seu irmão Essav. Seu irmão gêmeo mudou-se, deixando as terras de seu pai para Iaacóv e sua família, por amor ao irmão. Iaacóv pôde então superar um de seus maiores medos: o medo de seu irmão.

Shabat Shalom,
Licia Schvartzman