André Nudelman, chazan e professor

AndreNudelman

Esta semana, entrevistamos André Nudelman, um dos chazanim da ARI e professor dos alunos de bar e bat mitzvá.

Qual a sua formação, como tornou-se chazan?
Sou músico e chazan. Tive a alegria de ter estudado tanto no Eliezer quanto no Liessin. E estudei música na UniRio. Como chazan, minha formação foi no estilo artesanal “mestre-aprendiz” de antigamente: logo após o meu Bar mitzva, em 1988, quando minha opção pela carreira já era clara, comecei meus estudos na ARI, que tem uma sólida e importante tradição de chazanut, com o chazan David Alhadeff. E passei, então, os dez anos seguintes me preparando.

Quando e como foi o seu começo de trabalho na ARI?
Foi algo muito natural e que veio se desenrolando desde a minha juventude. Durante meu estudo de chazanut, passei a participar dos serviços de Iamim Noraim – a cada ano, com mais responsabilidades – até que, em determinado momento, não lembro se em 1991 ou 1992, fui encarregado dos serviços de Kabalat Shabat e festas no querido Lar da União. Em 1994, integrei-me efetivamente ao quadro profissional da ARI, como assistente do David, então chazan da casa, passando também a dar aulas. E, em 1999, fui convidado a assumir oficialmente a posição de chazan.

Como e com que antecedência você recebe os alunos para bar e bat mitzvá?
Procuro recebê-los de forma que se sintam bem e à vontade, estimulando que cada um, com sua particularidade, possa desenvolver seus próprios potenciais e ideias e sua própria identidade religiosa. Cada processo é único, então não existe uma fórmula pronta. São relações humanas que se formam, tão únicas e especiais quanto a individualidade de cada um. E nós todos na ARI nos empenhamos muito para que a vivência do bar e do bat mitzvá, como um todo, seja, além de significativa, o mais interessante e prazerosa possível! Nós temos especial carinho por nosso programa de preparação para bar e bat mitzvá – pois se trata, efetivamente, da nossa continuidade, do nosso futuro. O programa compreende aulas coletivas, ministradas pelos nossos maravilhosos professores, que costumam durar um ano, em média. E, em determinado momento, iniciam-se as aulas para a parte prática da cerimônia. E temos também, para dar continuidade à formação judaica e humana dos nossos jovens, o pós-bar e bat mitsvá.

Os jovens ficam muito nervosos com a proximidade do evento? O que você faz para ajudá-los a se acalmar?
Como em todos os momentos importantes da vida, o nervosismo faz parte, é natural. E sei bem como é, pois me lembro da noite anterior ao meu bar mitzvá. Não foi fácil… E mesmo hoje em dia, antes de algum compromisso ou exposição menos habitual, fico também nervoso. Então, sei que não dá para dizer simplesmente “Ei, fica calmo!!”. O que tento fazer é ir construindo, ao longo das aulas e do convívio, a ideia de que não se trata de uma prova ou uma performance, que tem de ser perfeita. É, sim, um momento que fecha e coroa todo o período de preparação e que festeja o início de uma nova fase da vida, uma fase em que as opções e caminhos judaicos irão, gradativamente, ser exercidos de forma cada vez mais consciente. E que, portanto, a ênfase deve ser no processo. E aí a cerimônia se torna “apenas” uma consequência disso tudo! Outro ponto importante é me certificar de que eles estejam seguros nas coisas que precisam fazer. Desta forma, há apenas o nervosismo “normal” pelo momento, mas não uma angústia terrível causada por alguma insegurança pontual.

Qual seu sentimento depois que o bar-mitzvando lê o seu trecho da parashá ou a haftará?
Claro que é um “naches” enorme!! Mas não só nesse grande momento como também em cada pequena conquista, em cada desafio superado.